• Cientista político diz que candidato de Lula será favorito “rapidamente”

    No Blog da Cidadania

    O cientista político Alberto Carlos Almeida é autor do livro “A Cabeça do Brasileiro” (Editora Record, 2007), que possui uma pesquisa reveladora e dados estatísticos de excepcional amplitude a respeito do perfil do brasileiro. Almeida é professor da Universidade Federal Fluminense.

    Publicou os livros “Por que Lula?” (Editora Record, 2006); “Como são Feitas as Pesquisas Eleitorais e de Opinião” (Editora FGV, 2002); e “Presidencialismo, Parlamentarismo e Crise Política no Brasil” (Eduff, 1998).

    Alberto Carlos Almeida possui doutorado em Ciência Política pelo IUPERJ; foi pesquisador visitante na The London School of Economics; e coordenou as pesquisas eleitorais e de opinião do DataUff entre 1996 e 2002 e da Fundação Getúlio Vargas entre 2002 e 2005.

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  • EM LONDRES, DILMA É CALOROSAMENTE RECEBIDA PELO LABOUR PARTY

    O Cafezinho

    Por Mariana Noviello

    Dilma Rousseff esteve no Reino Unido na semana passada onde ela participou de um evento acadêmico o Brazil UK Forum, organizado pelos estudantes das prestigiadas universidades de Oxford e LSE, e também conversou com a mídia, mulheres na academia e na política.

    Talvez de maior relevância tenha sido o encontro de Dilma com a alta cúpula do Labour Party (Partido Trabalhista Britânico).

    Parlamentares trabalhistas não só prestaram solidariedade à Presidenta em relação ao impeachment e a Lula, mas também se mostraram preocupados com a democracia no Brasil.

    Emily Thornberry, portavoz do Partido em assuntos internacionais, twitou: “Hoje, tive a honra de me encontrar com Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil. Discutimos como a democracia em seu país está comprometida”. EM LONDRES, DILMA É CALOROSAMENTE RECEBIDA PELO LABOUR PARTY


  • O que Temer não disse sobre os 2 anos de governo

    GNN Notícias

    [...] A cerimônia teve início às 15h no Salão Nobre do Palácio do Planalto, mas antes mesmo já foi marcada por polêmicas. Após o deslize do título "O Brasil voltou, 20 anos em 2", e a repercussão negativa, o convite para ministros e autoridades veio com outra nomenclatura: "Maio/2016-Maio/2018: o Brasil voltou".

    Ostentou de maneira exacerbada que houve uma queda na inflação e redução da taxa de juros. Juntou os números para preparar a cartilha "Avançamos - 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro", que foi o período de sua atuação desde que assumiu com a derrubada da presidente eleita Dilma Rousseff.

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  • Recomendo leitura

Prevenção da Febre Amarela

Plano de Monitoramento Entomológico para a Prevenção da Febre Amarela na Cidade Japeri

Por Rildo Ferreira
Aedesaegypti

Introdução

 Em virtude das ocorrências de morte de primatas por Febre Amarela (FA) na Mata Atlântica da Região da Baixada Fluminense as cidades devem preparar um conjunto de ações para a prevenção da FA fazendo um bloqueio entre a zona Atlântica e a zona urbana das cidades evitando, assim, um surto de FA entre humanos atacando diretamente os transmissores do vírus, em especial seus criadouros fartamente encontrados em terrenos baldios e imóveis residenciais.

 Para Japeri, o bloqueio entomológico que se pretende demanda de uma ação fora dos padrões adotados para o controle do Aedes aegypti e pode ser compreendido pelas seguintes etapas:

  1. imunização dos agentes que atuarão na região de monitoramento.

  2. Pesquisa Entomológica com desenho cartográfico dos vetores.

  3. Identificação dos imóveis positivos para Aedes aegypti/albopictus, Sabethes e Haemagogus.

  4. Imunização dos residentes nas localidades pesquisadas.

  5. Monitoramento semanal dos imóveis positivados e dos dois imóveis imediatamente laterais.

  6. Borrifação de inseticida por meio aeroespacial para os casos de localidades com índice igual ou superior a 3% de infestação predial.

 A execução dessas ações visa essencialmente prevenir a entrada do vírus no cinturão urbano das cidades e, assim, evitar mortes por Febre Amarela entre a população da região.

Fundamentação

 Com o crescimento infelizmente ainda desordenado das cidades que compõem a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, inclusive com avanço sobre este cinturão verde-atlântico, ocasionando inevitável aproximação do homem com animais silvestres e com a crescente onda de informações sobre mortes de primatas tem deixado em pânico os moradores da região levando-os a procurar os serviços de saúde e a exigir do poder público ações que possam tranquilizá-los.

 Ora, Ocorre com surpreendente frequência a notícia de mortes de primatas infectados com o vírus da FA no cinturão de Mata Atlântica na região da Baixada Fluminense ainda que pese o fato de que as instituições responsáveis tenham identificado apenas um como sendo pelo vírus da FA. Em contrapartida, notícias veiculadas pela imprensa mostram elevado número de primatas mortos por FA no Estado de São Paulo e o próprio ministro da saúde contribuiu para alarmar a população ao afirmar pela imprensa que “Morte de macacos é sinal de novo ciclo de febre amarelai”. O G1ii noticiou a morte de mais de 80 primatas na cidade de Jundiaí, em São Paulo. O mesmo Giii1 informou a morte de outros 7 primatas na cidade de Louveira, SP.

 No sítio da Fiocruziv um artigo esclarece:

O Brasil vivencia um dos períodos de maior mortandade de primatas da história devido à febre amarela silvestre no país, segundo a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr). Além das mortes pela infecção pelo vírus, autoridades suspeitam que macacos estejam sendo executados pela população pelo medo de transmissão da doença.

 Entretanto a diretora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz) e veterinária, Carla Campos afirma que esses primatas “assim como o homem, são hospedeiros do vírus e não reservatórios da doença. Os vírus ficam vivos neles por um período de tempo muito curto” (idem). Essa afirmação combinada com as alarmantes notícias veiculadas favorece e recomenda um trabalho preventivo, sobretudo para tranquilizar os moradores da região limite com a zona Atlântica.

Sobre a Febre Amarela

A primeira epidemia de febre amarela urbana no Brasil ocorreu em Recife/PE, em 1685, e na Bahia no ano seguinte com 900 óbitos. A doença foi controlada e ficou por mais de um século sem registro de casos, mas em 1849, em Salvador, na Bahia, foram registradas 2.800 mortes. Neste mesmo ano, ocorreu a primeira epidemia no Rio de Janeiro, que acometeu mais de 9.600 pessoas e registrou 4.160 óbitos. Entre 1850 a 1899, a doença se alastrou por todo o país quando Emílio Ribas, diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo organizou a primeira campanha adotando medidas específicas contra o Aedes aegyptii.

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes), que pode levar à morte em cerca de uma semana, se não for tratada rapidamente. Os casos da doença no Brasil são classificados como febre amarela silvestre ou febre amarela urbana. O vírus causador e os sintomas clínicos da doença são os mesmos nos dois casos: a diferença entre elas é o mosquito transmissor. Na febre amarela silvestre, os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus e os macacos são os principais hospedeiros. Nessa situação, os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada adentra uma área silvestre e é picada por mosquito contaminado. Na febre amarela urbana, o vírus é transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti ao homem. O Brasil não registra casos desta doença desde 1942ii.

O vírus amarílico é o protótipo do gênero Flavivírus, da família Flaviviridae (amarelo em Latim). É um RNA vírus. Pertence ao mesmo gênero e família de outros vírus quecausam doenças no homem, tal como o Dengue, por exemplo.

Na forma silvestre, os primatas não humanos são os principais hospedeiros do vírus amarílico, principalmente os macacos pertencentes aos gêneros Cebus (Mac Alouatta (guariba), Ateles (macaco aranha) e Callithrix (sagui).

Os macacos Alouatta, assim como os Callithrix e Ateles, são muito sensíveis ao vírus e apresentam taxa de letalidade elevada. Já os Cebus infectam-se facilmente, mas apresentam baixas taxas de letalidade e geralmente desenvolvem imunidade.

Diversos mamíferos também são suscetíveis à doença, destacando-se os marsupiais e alguns roedores que funcionam possivelmente mostrado a participação do gambá, porco espinho e do morcego no ciclo silvestre da doença. Contudo, a importância epidemiológica destes animais na manutenção da doença ainda não é conhecida.

Na forma urbana, o homem se constitui no único hospedeiro. Os animais domésticos não parecem ser susceptiveis ao vírus amarílico. A infecção experimental destes animais mostra baixo nível de suscetibilidade, embora os cães desenvolvam resposta febril após inoculação periféricaiii.

Os vetores

sabethes

Sabethes (sp)

 Mosquitos do Gênero Haemagogus, particularmente da espécie janthinomys, e do Gênero Sabethes preferenciam (não exclusivo) se alimentar em primatas, hábito que fazem destes amplificadores do vírus de FA. No Brasil, o principal vetor é o Aedes aegypti. Ainda não se sabe do papel do Aedes albopictus na transmissão do vírus, mas mantê-lo sob vigilância e controle é essencial para evitar descobrir pela maneira mais trágica da sua capacidade de transmissibilidade.

haemagogus

Haemagogus (sp)

 Para a situação do momento é essencial fazer uma cartografia vetorial nas localidades que fazem a transição entre a zona urbana e a Mata Atlântica para que seja feito um monitoramento vetorial e, assim, fazer um bloqueio impedindo uma possível entrada do vírus na zona urbana.

O laboratório de Entomologia alerta para a presença de mosquitos da tribo Sabethini em Japeri. É comum encontrar entre larvas de Aedes e Culex larvas de Limatus durhami (da tribo Sabethini, o que leva a suspeita de existir outros gêneros, incluindo o Sabethes).

O que se propõe

Diante do inusitado aparecimento de um primata morto por vírus da FA na Reserva Biológica de Tinguá obriga as cidades circunvizinhas a tomarem medidas preventivas para evitar a reintrodução do vírus nas zonas urbanas, diante disso, o Laboratório de Entomologia propõe a realização de um CINTURÃO DE BLOQUEIO ENTOMOLÓGICO numa região que compreende toda a faixa limítrofe da cidade Japeri com a Mata Atlântica desde Beira Rio, em Japeri, até Laranjal, nos limites com a cidade Queimados. As localidades e os setores censitários compreendidos nesse cinturão estão descritas no quadro abaixo por classificação de risco, por bairro e apresenta a quantidade de imóveis a serem visitados e uma estimativa da quantidade de pessoas a serem monitoradas.

tabela
Quadro demonstrativo dos setores censitários a serem trabalhados na prevenção da Febre Amarela
Fonte: Reconhecimento Geográfico | Olício Silva

Um bloqueio entomológico exige uma modalidade de trabalho semelhante ao Levantamento de Índice mais Tratamento (LI+T) já praticado nos tempos da antiga Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) e, posteriormente, pela Funasa. Trata-se de visitar TODOS os imóveis dos setores dentro da margem com largura de até 600 metros do limite das localidades que margeiam a Mata Atlântica desde Beira Rio, em Japeri, até Laranjal, em Engenheiro Pedreira, limite com a cidade Queimados para o centro urbano.

O objetivo do LI é fazer a cartografia vetorial entomológica identificando todos os imóveis positivos para esses vetores descritos. Esses imóveis serão objeto de monitoramento a fim de manter controle sobre o inseto. Tratar todos os depósitos é fundamental para iniciar um controle biológico atacando as larvas evitando que o inseto se torne adulto. A identificação do imóvel positivo também servirá para que a equipe de Vigilância Epidemiológica adote medidas necessárias de controle e monitoramento das pessoas mais susceptíveis à picada do mosquito e, consequentemente, aos vírus transmitidos por eles.

Durante a visita o agente deve procurar por focos de mosquito tanto nas residências quanto nos quintais e terrenos baldios. O rigor da procura deve ser máximo. Encontrando ou não foco de mosquito o agente deve tratar todos os depósitos que possam se tornar criadouro de mosquito. Encontrando foco, o agente deve coletar amostras num total de até 10 exemplares por depósito foco, identificar o foco no boletim apropriado e remetê-lo ao laboratório para identificação dos exemplares e catalogação cartográfica.

Identificado o imóvel positivo, e os imóveis imediatamente laterais, passam a ser objeto de monitoramento semanal em virtude da exposição dos residentes aos vetores tornando-os susceptíveis a contrair vírus por eles transmitidos. No momento da visita o agente deve procurar saber se a família residente no respectivo imóvel foi vacinada contra FA. Não o sendo a equipe de imunização deve adotar as medidas necessárias para fazê-lo. Ao mesmo tempo o agente deve fazer um trabalho de educação sanitária de modo preventivo. Nas localidades que apresentarem índice de infestação predial igual ou superior a 3% deve-se adotar a aspersão de inseticida por meio aeroespacial de Ultra Baixo Volume-UBV para reduzir a densidade dos vetores reduzindo riscos de transmissibilidade.

Não se faz necessário a captura de mosquitos adultos para efeitos de controle do inseto, salvo para diagnostico de mosquito infectado pelo vírus. Conhecendo os vetores, sabendo de sua ecologia, precisamos atacar fundamentalmente sua fase larvária. Entretanto, sabendo das dificuldades de se ter acesso à TODOS os depósitos naturais da região bloqueio, será fundamental a presença regular do serviço de aspersão de inseticida aeroespacial, medida de controle do mosquito adulto.

No cinturão de bloqueio entomológico deve-se dar atenção especial às borracharias, aos ferros-velhos e aos terrenos baldios se existirem. Esses ambientes são formidáveis para a proliferação dos vetores da FA, pois agrupam muitos e potenciais criadouros de mosquitos com muitos dias de repouso favorecendo o completar do ciclo vital do inseto. Sendo necessário o poder público deve adotar medidas enérgicas para tornar esses ambientes desfavoráveis à proliferação dos mosquitos vetores.

mapajaperi

Mapa de definição das áreas de risco para Febre Amarela (em círculos)
Fonte: Reconhecimento Geográfico

 De acordo com o quadro demonstrativo dos setores censitários a serem trabalhados na prevenção da febre amarela, o cinturão bloqueio definido pela equipe de Reconhecimento Geográfico estão compreendidos na faixa destacada no mapa acima e classificadas em baixo, médio e alto riscos.

Conclusão

 O bloqueio entomológico é uma ação preventiva para evitar que o vírus da FA seja introduzido no centro urbano de Japeri. Sua eficácia depende muito da interdisciplinaridade entre os mais variados serviços do poder público. A equipe de Vigilância Epidemiológica monitorando os susceptíveis; a Secretaria de Obras com limpeza dos terrenos baldios em situação crítica; a equipe de Educação em Saúde com informações e ações educativas esclarecendo os munícipes sobre a situação; os Agentes Comunitários de Saúde visitando regularmente as casas identificadas positivas para os vetores e os Agentes de Controle de Endemias com ações de pesquisa e combate aos vetores.

 A situação exige um alerta constante de todos os setores e as medidas necessárias executadas de pronto. Trata-se de evitar que o município seja o precursor da reintrodução do vírus amarílico na zona urbana. O cinturão de bloqueio entomológico é uma zona de monitoramento e ataque aos vetores da FA numa faixa territorial que compreende dezenove (19) setores censitários nos limites da cidade com a Zona de Mata Atlântica das cidades Paracambi, Miguel Pereira, Nova Iguaçu e Queimados.

 Todo trabalho executado nesta fase inicial deverá ser repetido pelo menos 6 meses depois para verificação e aferição dos resultados.

Japeri, 10 de janeiro de 2018.

Rildo Ferreira dos Santos

Pedagogo | Técnico Entomologista
Matrícula MS 0516167
29.3 CtrlN

Referências

i Manual de Vigilância Epidemiológica da Febre Amarela, Brasília, 2004. ?? Disponível em https://goo.gl/DH7hbU

ii FIOCRUZ. Disponível em https://goo.gl/TPKgcE

iii Manual de Vigilância Epidemiológica da Febre Amarela, Brasília, 2004. ?? Disponível em https://goo.gl/DH7hbU

iv FIOCRUZ. Disponível em https://goo.gl/TPKgcE

Alagou tudo. De quem é a culpa?

Modelo de captação de águas da chuva

Modelo de captação de águas da chuva

Nossa cidade ainda vive os efeitos da tragédia provocada pela forte chuva que caiu sobre ela na quinta-feira (7/12), deixando-a submersa por várias horas atingindo centenas de casas causando prejuízos ainda em estagio de mensuração. Não está sendo fácil perceber famílias interias chorando as perdas dos seus pertences e fazer muito pouco por elas.

Depois de um sinistro como o que nos ocorreu aparecem os acusadores e seus mais estapafúrdios argumentos. A tempestade não nos afetou somente, mas varias outras cidades e centenas de outras famílias das cidades do entorno Guandú, principal manancial de água potável que abastece o Rio de Janeiro. Nova Iguaçu, Queimados e Japeri me são as mais próximas e o que testemunhei não pode ser atribuido aos prefeitos Nelson Bornier (PMDB/Nova Iguaçu); Max Lemos (PMDB/Queimados) e Timor (PSD/Japeri). Foi um sinistro atípico, inevitável.

Penso, contudo, que o impacto poderia ter sido menor. Já escrevi sobre isto e volto ao temo por ser relevante e na expectativa de torna-lo uma política pública que poderá diminuir muito o impacto de temporais como o vivido neste início de dezembro. Um estudo de Vasconcelos e Ferreira (sem data), formando e orientador do curso de Engenharia Florestal da Universidade Católica de Goiás, revelam que “algumas cidades brasileiras criaram Decretos para retardar o escoamento da água que cai sobre o telhado, para evitar o colapso do sistema de escoamento de seus municípios”. É o que nos falta em Queimados e nos municípios vizinhos. Se as grandes construções, como os galpões que estão sendo construídos às margens da Rodovia Presidente Dutra, os supermercados, as escolas, postos de saúde, depósitos, ferros velhos, e cada prédio do condomínio do Valdariosa tivesse um sistema de captação de águas da chuva, milhares de milhares de litros de água seriam retardados até chegar aos Rios Abel e Camorim.

É preciso considerar o seguinte: todos queremos saneamento e pavimentação. Mas quando se faz o saneamento básico e pavimentação de um bairro estamos canalizando todo o esgotamento sanitário e as águas fluviais para um só lugar, ou seja, toda a água não retida pela comunidade tem o mesmo destino. Agora vamos considerar que o Rio Abel recebe toda a água da chuva e do esgotamento sanitário do Campo da Banha, do São Simão, do Centro, da Serrinha, do São Cristóvão, do Valdariosa, do Glória etc. Ora, antes da pavimentação o solo e a vegetação retinha um percentual da água que não chegavam ao Rio, agora não é possível mais porque o asfalto escoa a água para um bueiro e uma canalização leva toda a água para o Rio Abel. Evidente que o Rio vai transbordar quando a chuva for acima de um determinado volume pluviométrico.

Qual a saída: retenção de parte da água e a construção de pequenos sumidouros. As grandes construções fazem um sistema de coleta de água para até 5 mil litros e o poder público cria pequenos sumidouros de água nas margens das vias. São pequenos poços que tem paredes e cobertura de cimento, mas o fundo é vazado para que a água armazenada ali penetre no solo lentamente. Nas residências comuns também é possível armazenar água da chuva. Se cada casa pudesse armazenar cerca de 250 litros de água, poderíamos evitar que mais de 1 milhão de litros de água (uma piscina com 10 metros de largura, 50 de comprimento e 2 de profundidade) deixariam de desaguar no Rio Abel. Resolve definitivamente o problema? Claro que não, mas o impacto certamente será menor.

E o que fazer com a água armazenada? Ora, limpeza de sanitários, lavagem de veículos, lavagem de calçadas, regagem de jardins… Como disseram os pesquisadores da Universidade de Goiás

A água da chuva pode ser utilizada de várias formas: durante a lavagem de roupas, carros, calçadas, automóveis ou irrigação de hortas e jardins. Com isso ela é capaz de compensar deficiências, substituindo com vantagens, até 50% da água oriunda dos sistemas públicos de abastecimento (água tratada, destinada a finalidades mais nobres). Por outro lado, a retenção da água proveniente da chuva, principalmente nos centros das cidades, que possuem quase que a totalidade de seu solo impermeabilizado por ruas, calçadas e edificações, contribui para a diminuição das enchentes (Idem, S/D).

Há muitos estudos que mostram o valor do aproveitamento de águas da chuva. Penso que vivemos um momento de se pensar mais seriamente no assunto.

Dengue: a estratégia agora é outra (parte II)

II – O trabalho de controle da dengue

Para tentar responder tais questões foi pesquisa realizada em três cidades periféricas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a saber, Japeri, Mesquita e Queimados[1], sobre o trabalho de controle de endemias pode não responder a todas as questões, a poucas talvez, mas permite uma visão amiúde de como se estruturam os serviços e apontam alguns dos problemas na visão de quem está ali para executar o serviço. O quadro observado é igual em milhares de outras cidades brasileiras alterando muito superficialmente alguns aspectos hierárquicos, mas na execução do serviço de controle de endemias são iguais em 95% (noventa e cinco por cento) estimadamente, 5% (cinco por cento) atribui-se a experimentações particularizadas, como na cidade de Arcos, em Minas Gerais, trocando lixo por alimentos e garrafas tipo pet e pneus podiam ser trocados por feijão e leite em pó. De modo geral as cidades herdaram o modelo estrutural da extinta SUCAM operando com agentes contratados por elas mesmas. O que chama a atenção, entretanto, é a ausência de compromisso dos agentes envolvidos direta e indiretamente, mas, sobretudo, dos gestores da coisa pública e isto é grave porque contamina de modo verticalizado todo material humano envolvido no processo. Como pode um agente de endemias estar motivado quando seus superiores tergiversam quanto as demandas dos postos de trabalho? Como motivar um agente de endemias que se submete a condições aviltantes para a sua práxis laboral ou quando ele já não acredita mais no que está sendo feito?

Depois de participar de uma atividade extraordinária para o combate a dengue uma agente de endemias[2] da Fundação Nacional de Saúde – FUNASA e cedida a um município da Baixada Fluminense expressou: “Acabei de chegar de um evento da saúde. A falta de apoio logístico é terrível!” e acrescenta: “Você não fica desanimada, mas desmotivada, o que é pior”. Isto é sintomático! Quando numa pesquisa um agente de endemias diz que sua expectativa em relação ao trabalho é a aposentadoria, isto também é sintomático. Ora, desde a reintrodução do vírus do tipo I da dengue, no Estado do Rio de Janeiro, em 1986, o serviço de controle de endemias tem recebido ofertas de milagres em doses cavalares. Não são os milagres oferecidos que preocupam aos agentes de controle de endemias, mas a insuficiência de uma visão crítica das condicionantes para que o milagre oferecido seja compatível com o problema ou a enfermidade que dele necessitam. Vinte e cinco anos depois, com sistemática luta contra o Aedes aegypti, continuamos a proteger nossos pontos fracos porque não identificamos os fortes. Não é possível negar a eficácia dos vários produtos de controle de larvas de mosquitos como o Temephós (Abate), um organofosforado que foi largamente utilizado pela extinta SUCAM e por alguns anos pela FUNASA, substituído pelo Bacillus Thuringiensis Israelensis – BTI[3], biolarvicida de efeito entomopatogênico, também substituído pelo Diflubenzuron e este sendo substituído pelo Novaluron e, tal como os outros que sucederam o Abate, recebido com ceticismo pelos agentes de endemias, mas é perfeitamente possível questionar o processo como um todo porque as partes não se juntam, ao contrário, se fragmentam com medidas isoladas e mal planejadas.

Para entender melhor todo o processo é preciso resgatar e demonstrar a velha estrutura para comparar com a estrutura atual e compreender as mudanças ocorridas ao longo dos anos. Em 1986, a SUCAM tinha um Superintendente nomeado pelo ministro da saúde. Nos Estados esta Superintendência tinha representações por Coordenação. Para citar apenas o Rio de Janeiro, a Coordenação Regional ficava situada na cidade do Rio de Janeiro. Esta coordenação se dividia em 3 distritos e estes ficavam localizados nas cidades Rio de Janeiro, Niterói e Nova Iguaçu. Este último tinha uma estrutura cuja hierarquia verticalizada tinha na figura do Chefe do Setor Técnico a principal autoridade no serviço de controle da dengue, embora sua responsabilidade fosse acrescida de outras endemias como Malária, Doença de Chagas, Leishmaniose e Esquistossomose, e também tivesse presente a figura do Chefe do Distrito que raramente era visto. Cabia então ao Chefe do SETEC (Setor técnico) escolher entre os servidores os Supervisores Gerais, não somente para o serviço de Febre Amarela e Dengue (FAD), mas também para as outras endemias. Só no controle da Febre Amarela e da Dengue tinha uma estrutura complexa porque muitos agentes, nas outras endemias o número de agentes era pequeno, portanto, uma estrutura simplificada: um supervisor e alguns agentes de campo.

Essa estrutura, começando com o Chefe do SETEC, passando pelos Supervisores Gerais e indo até os agentes de campo da campanha FAD é a estrutura herdada como modelo e que serve a quase totalidade dos municípios brasileiros. As alterações que ocorreram em decorrência da municipalização não alteram significativamente o formato embora tenha sido eliminada a figura do Chefe de Equipe, mas até a municipalização, e de acordo com o número de agentes destacados para a campanha da Febre Amarela e Dengue era a seguinte (veja Organograma): Chefe do SETEC; Supervisores Gerais, Supervisores de Endemias, Guarda-chefe e Agente de Endemias. No programa eram 4 Supervisores Gerais e cada um deles poderia ter até 5 Supervisores de Endemias; para cada Supervisor de  Endemias até 5 Guarda-chefes e para cada Guarda-chefe até 5 Agentes. Em situações esporádicas poder-se-ia utilizar um número diferente de 5 e uma turma poderia trabalhar com 4 ou 6 Agentes e um Supervisor Geral poderia ter 4 ou 6 Supervisores de Endemias, mas em regra, a partir do Supervisor Geral, para cada um, cinco subordinados até chegar aos Agentes de Endemias.


[1]    Pesquisa realizada pelo autor para fundamentação do Trabalho de Conclusão de Curso como requisito para a obtenção de grau de Pós Graduação em Pedagogia Empresarial Estratégica da Universidade Estácio de Sá.

[2]  – A identidade e o município intrínsecos foram ocultados para evitar desconforto para a agente de endemias.

[3]    – Sobre BTI conferir Polanczyk, Garcia e Alves, Potencial de Bacillus thuringiensis israelensis Berliner no controle de Aedes aegypti. São Paulo, 2003. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsp/v37n6/18028.pdf.