Arbitragem no Futebol: profissionalizar resolve?

Fim do jogo entre Flamengo e Corinthians no Maracanã. Nem a confusão dos bandidos que vieram de São Paulo e agrediram os policiais na reabertura do Maracanã para o futebol brasileiro mereceu tamanho destaque entre os muitos comentaristas de rádios e TVs.

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No momento em que Arão toca na bola Guerreiro e Réver estão impedidos. O gol foi irregular.

É impressionante, entretanto, a quantidade de pedidos para “profissionalizar” a arbitragem no Brasil como se isto fosse resolver o problema. Ora, eles próprios são a mais inconteste prova de que isto não é verossímil!

Cada comentarista torce para um time desde criança. E foi por conta disso, e por não terem condições de serem os próprios jogadores de futebol, decidiram optar pelo Jornalismo Esportivo e por mais isento tentam ser há sempre uma paixão implícita em cada comentário. É humano isso.

O árbitro de futebol também torce por um time e quando escalado para apitar tenta ser o mais isento possível. Mas por que erram tanto? Não mais do que erravam no passado. Não mais do que erram na Europa. Parece até que eles os comentaristas tem um comentário para o futebol no Brasil e outro para o futebol na Europa. Na La Liga espanhola os erros são absurdos e os árbitros, tais como os nossos, tendem a favorecer os grandes times como Real Madrid ou Barcelona. Na Bundes Liga idem. Profissionalizar a arbitragem não o fará deixar de ser torcedor e nem o fará melhor do que de fato é. Há em todas as categorias bons e maus profissionais porque as pessoas não são iguais. Máquinas que são máquinas mesmo iguais podem reagir de modo diferente dependendo das engrenagens, imaginem pessoas que são movidas por motivação, paixão, afetividade, solidariedade, conceitos, cultura etc!…

Existe solução? Sim, eu respondo. Definitiva? Não, jamais!

A primeira delas é uma empresa particular fazer as imagens do espetáculo e com apenas uma câmera, a Central ou principal, a que neste caso seria única. Nas transmissões não se permitiriam replays. As discussões sobre erros de arbitragem caem em pelo menos 70%, é minha hipótese. Sim, porque toda discussão só acontece porque o comentarista e o telespectador tem uma imagem adicional -imagens que os árbitros não tem- que lhes permitem congelar e verificar por meio de um recurso gráfico saber se determinado jogador está ou não impedido. Logo a arbitragem melhora uma vez que não há imagem contraditória.

A segunda é o uso de monitores extra-campo com os mesmos recursos das TVs e que podem ser consultados pelos árbitros quando necessário.  No caso do gol do Guerreiro ele, o árbitro Anderson Daronco, anularia o gol para o bem do espetáculo. Neste momento entra em discussão o recurso eletrônico para interferir no jogo. Me lembro do futebol americano do qual sou fã. Cada time tem três tempos para pedir nos dois primeiros quartos (cada quarto dura 15 minutos de bola em jogo). Os técnicos podem pedir revisão de determinadas jogadas valendo um tempo. Se ele ganhar o desafio, mantém seu tempo, se perder, perde direito a um tempo dos dois primeiros quartos. Quando o técnico desafia uma jogada o árbitro principal pára o jogo, congela o cronômetro e pede a uma comissão fora do jogo para rever a jogada e determinar o que se sucedeu. Ora, mesmo lá, com todos esses recursos disponíveis, os árbitros erram e erram muito! Mas trazendo esse possibilidade para o futebol brasileiro poderia diminuir os erros de arbitragem uma vez que eles poderiam voltar atrás e determinar uma outra setença e tal como no Voleibol, cada árbitro teria direito a pedir duas ou três revisões de jogadas em cada tempo estabelecendo algumas exceções.

Uma terceira proposta é o fim do impedimento. Pode deixar o Guerreiro na banheira e se fizer gol fica valendo! Deixa o Fred lá, se fizer gol vale! Se acabar com o impedimento o jogo ganha mais dinâmica e acaba com essa bobagem de um time fazer linha e depois reclamar que este ou aquele estava impedido. Agora, moçada, chega de pedir profissionalização como se isto fosse resolver o problema. Não vai. Profissionalizar por uma questão de justiça, de reconhecimento pelo trabalho que se desenvolve nesta área, mas sem essa de dizer que tudo se resolveria com a caneta. O Brasil está cheio de maus exemplos que se comparam.

Please. Stop! Vamos gastar energia com coisas minimamente razoáveis.