João e Maria e a Amizade Virtual

Imagem extraída do Blog Dicas de Aphrodyte

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João e Maria ficaram conhecidos na história como aqueles dois irmãos que saíram pela floresta a marcar o caminho com migalhas de pão, encontraram uma casa feita de doces e seriam refeição de bruxa não fosse a ousadia de enfrentar o perigo.

Aqui nessa história João e Maria são também personagens fictícios porque preciso de uma história para lhes falar sobre a amizade virtual.

Amizade virtual existe, mas é como software, precisa de um hardware para acontecer e tal como qualquer aplicativo de jogo vicia. Não à toa vimos pessoas navegando na Rede em plena via pública enquanto caminha para chegar a algum lugar.

Como esquizofrênicos os navegantes falam, sorriem e até se aborrecem durante a caminhada, alguns conseguem se sentir contente com o que lê. Vez por outra vimos um ou outro indo de encontro com outro navegante enquanto perambula. Quando isto acontece se desculpam, se recompõem do vexame e seguem caminhando e navegando.

Pois bem. João e Maria se conheceram no Facebook. João enviou uma solicitação de amizade e Maria o aceitou.

Maria escrevia muito e sobre vários assuntos e escrevia bem. João ficou impressionado com o que lia no perfil de Maria e passou a segui-la com muita regularidade. João curtia as postagens de Maria e sempre as comentava, geralmente elogiando o texto em concordância com ele. No Chat in box João ousou conversar com Maria, mas as conversas eram curtas e sem nenhuma profundidade.

Mas João também sabia escrever e influenciado pela WEB resolveu criar o seu BLOG.

Aconteceu que um dia Maria publicou uma postagem no Facebook e por coincidência João fizera um artigo em seu BLOG tratando do mesmo assunto. Ao comentar a postagem de Maria, João citou o seu BLOG e deixou o link para quem desejasse conhecer melhor o seu pensamento sobre o assunto.

Maria Curtiu o comentário de João.

João sorriu e revelou que sua amizade por Maria era incondicional. Sempre que se reportava à Maria demonstrava que credenciara a amizade com “a melhor amiga virtual”.

No seu perfil no Facebook João também publicava notas, fazia comentários em notícias de jornais, artigos científicos ou crônicas além de publicar sempre o link de seus artigos do BLOG.

Nas postagens de Maria no Facebook João sempre deixava links para o seu BLOG ou para as postagens em seu perfil no Facebook.

Certo dia João se deparou com uma falsa notícia e percebeu que Maria inadvertidamente embarcou na “barriga” do jornal. Antes de comentar a postagem de Maria fez uma minuciosa pesquisa em bancos de dados do governo, outras fontes como Blogs e sites independentes e fez ele próprio um artigo para tentar esclarecer a questão. Só então João comentou a postagem de Maria advertindo-a do equívoco.

Maria Curtiu o comentário de João.

Não houve retratação, nem explicação sobre sua crença no assunto, Maria apenas curtiu o comentário de João. Então João resolveu perguntar in box o que Maria achou de seu artigo no BLOG. Maria disse que não teve tempo de ler o artigo, mas que iria fazê-lo assim que pudesse.  Isto fez acender uma luz no lado oculto daquela amizade.

João voltou ao seu perfil e observou as postagens que fez e percebeu que Maria aparecia em muitas delas como uma das pessoas que “Curtiu” a postagem. Nenhum comentário.

João passou a se valer do “princípio da reciprocidade” e parou de fazer comentários nas postagens que Maria fazia em seu perfil. Uma vez ou outra Curtia simplesmente.

Se lá no início João pode ter com Maria alguma prosa virtual esta prosa era agora apenas um emaranhado de perguntas e respostas, geralmente secas. E João fez um paralelo com os parcos comentários que recebia em suas postagens. Percebeu que para algumas dava respostas e para outras apenas curtia. Percebeu também que tinha entre seus comentaristas alguns dos quais jamais visitara o perfil. Não sabia qual era a visão de mundo do seu “amigo virtual” e estes, por afinidade com seus textos, estavam sempre presentes nos comentários no seu perfil no Facebook e, em algumas ocasiões, em seu BLOG.

Se deu conta, então, que ele não era um amigo para Maria, mas apenas seguidor. Concluiu que amizade é uma via de mão dupla: se alguém te concede amizade retribua!… Na Rede acompanhar alguém pelo que esse alguém diz na internet não significa conquistar uma amizade. Amizade tem raízes. Amigos entram em conflitos, mas a amizade implica em aceitar o outro com suas virtudes e defeitos. Os conflitos existem para a solidificação da amizade. No caso de Maria João não teve conflitos, mas não se sentia parte importante para Maria ainda que ele conferisse à Maria toda a importância naquela relação virtual.

João decidiu se voltar para aqueles os comentaristas de suas postagem e dar à eles a importância merecida e passou a Curtir somente as postagens de acordo com sua visão de mundo, e não apenas as de Maria, mas a de qualquer outro na sua relação de “amigos virtuais”. João descobriu ser as relações virtuais efêmeras; ao desligar o hardware a amizade deixa de acontecer e aceitou o fato de ser um seguidor de algumas pessoas e de ser seguido por outras porque, de fato, somos todos amigos, o que construímos na realidade são os inimigos de acordo com o nosso grau de tolerância.

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