Os tupiniquins não enxergam o óbvio

superbowl2Começamos o ano de 2014 com a esperança de realização de um grande evento no país. Trata-se da Copa do Mundo de futebol que muita gente, especialmente ligadas à um projeto conservador e politicamente ligados à direita mais retrógrada já conhecida, torcem muito para que dê errado.

Na própria imprensa tem jornalistas que, ou para satisfazer seus patrões ou por idiotice mesmo, costumam fazer duras críticas a um atraso, e não importa o motivo, a uma falha como a falta de energia num estádio de futebol, ou as filas para a compra de ingressos. A mais recente foi em relação a morte de Marcleudo de Melo Ferreira, 22 anos, operário que trabalhava na instalação dos refletores da Arena do Amazonas, estádio que está sendo construído para a Copa do Mundo 2014.

E falaram muita besteira.

Eu gosto de futebol americano e assisto sempre pela ESPN. Não muito distante ouvi um dos jornalistas falar a respeito da morte de um operário na construção de um estádio estadunidense. É incrível como pegam leve com as críticas que fazem quando se reportam a tragédias acontecidas fora do Brasil.

Em 11 de dezembro Fernando Brito, do Tijolaço, publicou um artigo falando de torcedores que foram esfaqueados antes do jogo entre Milan e Ajax. Ele disse: “No mesmo dia de hoje, italianos e holandeses se  enfrentaram antes do jogo entre Milan e Ajax, em Milão. Seis holandeses ficaram feridos, três deles a facadas e um em estado grave. Houve outros feridos sem gravidade” (Aqui).

Não estamos falando de times brasileiros, mas de europeus. Segundo a nossa imprensa, lugar de gente civilizada, altamente instruída e culturalmente avançada.

Ontem assisti a reprise do jogo entre San Francisco 49ers e Baltimore Ravens. Foi um jogaço! Nesse jogo aprendi a admirar o quarterback  Colin Kaepernick sem deixar de perceber as qualidades do seu oponente Joe Flacco. E ontem revi o fato de que na partida disputada no Mercedes-Benz Superdome, Nova Orleans, Luisiana, EUA, “jogo mais importante do ano foi interrompida por 34 minutos por causa de uma queda de energia, mergulhando partes do Superdome na escuridão e deixando os telespectadores sem futebol e sem explicação o porquê” (NFL site).

superbowlUm silêncio ensurdecedor sobre o assunto. A mesma ESPN, que transmitia o jogo ao vivo, tão costumeira em fazer duras críticas as falhas que ocorrem no Brasil, não fez críticas ao apagão ocorrido no evento esportivo mais concorrido dos EUA. Ao contrário, para eles que são avançados tecnológica, cultural e economicamente, de acordo com os jornalistas, colunistas e donos de mídias brasileiros, tudo tem uma explicação, só não se explica como no Brasil, que viveu num regime ultraconservador, liberal e elitista por muitos anos, pode ocorrer falhas em grandes eventos.

Não gosto de quem não gosta do Brasil. Não gosto de quem não gosta de nossa gente. São pessoas que tem visão curta e não enxergam o óbvio. Falhas vão sempre acontecer. É preciso, claro, fazer de tudo para evitá-las, mas se acontecerem, não nos façam menores porque os grandes também falham, e na mesma proporção de sua grandeza.

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