Alagou tudo. De quem é a culpa?

Modelo de captação de águas da chuva

Modelo de captação de águas da chuva

Nossa cidade ainda vive os efeitos da tragédia provocada pela forte chuva que caiu sobre ela na quinta-feira (7/12), deixando-a submersa por várias horas atingindo centenas de casas causando prejuízos ainda em estagio de mensuração. Não está sendo fácil perceber famílias interias chorando as perdas dos seus pertences e fazer muito pouco por elas.

Depois de um sinistro como o que nos ocorreu aparecem os acusadores e seus mais estapafúrdios argumentos. A tempestade não nos afetou somente, mas varias outras cidades e centenas de outras famílias das cidades do entorno Guandú, principal manancial de água potável que abastece o Rio de Janeiro. Nova Iguaçu, Queimados e Japeri me são as mais próximas e o que testemunhei não pode ser atribuido aos prefeitos Nelson Bornier (PMDB/Nova Iguaçu); Max Lemos (PMDB/Queimados) e Timor (PSD/Japeri). Foi um sinistro atípico, inevitável.

Penso, contudo, que o impacto poderia ter sido menor. Já escrevi sobre isto e volto ao temo por ser relevante e na expectativa de torna-lo uma política pública que poderá diminuir muito o impacto de temporais como o vivido neste início de dezembro. Um estudo de Vasconcelos e Ferreira (sem data), formando e orientador do curso de Engenharia Florestal da Universidade Católica de Goiás, revelam que “algumas cidades brasileiras criaram Decretos para retardar o escoamento da água que cai sobre o telhado, para evitar o colapso do sistema de escoamento de seus municípios”. É o que nos falta em Queimados e nos municípios vizinhos. Se as grandes construções, como os galpões que estão sendo construídos às margens da Rodovia Presidente Dutra, os supermercados, as escolas, postos de saúde, depósitos, ferros velhos, e cada prédio do condomínio do Valdariosa tivesse um sistema de captação de águas da chuva, milhares de milhares de litros de água seriam retardados até chegar aos Rios Abel e Camorim.

É preciso considerar o seguinte: todos queremos saneamento e pavimentação. Mas quando se faz o saneamento básico e pavimentação de um bairro estamos canalizando todo o esgotamento sanitário e as águas fluviais para um só lugar, ou seja, toda a água não retida pela comunidade tem o mesmo destino. Agora vamos considerar que o Rio Abel recebe toda a água da chuva e do esgotamento sanitário do Campo da Banha, do São Simão, do Centro, da Serrinha, do São Cristóvão, do Valdariosa, do Glória etc. Ora, antes da pavimentação o solo e a vegetação retinha um percentual da água que não chegavam ao Rio, agora não é possível mais porque o asfalto escoa a água para um bueiro e uma canalização leva toda a água para o Rio Abel. Evidente que o Rio vai transbordar quando a chuva for acima de um determinado volume pluviométrico.

Qual a saída: retenção de parte da água e a construção de pequenos sumidouros. As grandes construções fazem um sistema de coleta de água para até 5 mil litros e o poder público cria pequenos sumidouros de água nas margens das vias. São pequenos poços que tem paredes e cobertura de cimento, mas o fundo é vazado para que a água armazenada ali penetre no solo lentamente. Nas residências comuns também é possível armazenar água da chuva. Se cada casa pudesse armazenar cerca de 250 litros de água, poderíamos evitar que mais de 1 milhão de litros de água (uma piscina com 10 metros de largura, 50 de comprimento e 2 de profundidade) deixariam de desaguar no Rio Abel. Resolve definitivamente o problema? Claro que não, mas o impacto certamente será menor.

E o que fazer com a água armazenada? Ora, limpeza de sanitários, lavagem de veículos, lavagem de calçadas, regagem de jardins… Como disseram os pesquisadores da Universidade de Goiás

A água da chuva pode ser utilizada de várias formas: durante a lavagem de roupas, carros, calçadas, automóveis ou irrigação de hortas e jardins. Com isso ela é capaz de compensar deficiências, substituindo com vantagens, até 50% da água oriunda dos sistemas públicos de abastecimento (água tratada, destinada a finalidades mais nobres). Por outro lado, a retenção da água proveniente da chuva, principalmente nos centros das cidades, que possuem quase que a totalidade de seu solo impermeabilizado por ruas, calçadas e edificações, contribui para a diminuição das enchentes (Idem, S/D).

Há muitos estudos que mostram o valor do aproveitamento de águas da chuva. Penso que vivemos um momento de se pensar mais seriamente no assunto.

Uma resposta

  1. Li o seu blog e achei muito interessante . Sou do bairro Zenith , e eu e meus vizinhos tivemos problemas maiores que a chuva . A rua realmente encheu de agua , mas bem menos que o centro de Queimados , minha rua a agua so chegou a menos de um palmo . O problema maior chegou quando a defesa civil , saiu interditando todas as casas (colando papel de interdição “risco de alagamento” no portão ) e nem ao menos entrou nas casas . Falavam com os moradores com tom de ameaca ” se vcs não sairem das casas quando voltarmos iremos vir com as dragas e iremos obrigar vcs sairem do imovel e o mesmo sera derrubado com tudo dentro (moveis , eletrodomesticos ,etc) “. entramos com um processo na defensoria publica para uma nova avaliação . minha casa tem mais de 10 metros de distancio do rio e não tem nenhuma rachadura e nem entrou agua do rio , A prefeitura promete casas que estão sendo construidas em Eldorado ( que alagou tbm) mas ao que me parece não tem casa para todos os desabrigados e a gente (do bairro zenith) não queremos sair das nossas casas pois as mesmas não oferece riscos , sera que não existe nenhum outro procedimento que não seja a demolição , e por que a prefeitura não fala de indenização por desapropiação . Precisamos de ajuda , pois a nossa dignidade como cidadão esta abalada , Fomos ameaçados de ser arrancados de nossas residencias e não sabemos o que fazer .

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