E o PT se nivelou… por baixo

Há muito o PT já não é o mesmo, mas ainda assim é o melhor partido para se militar. Ideologicamente temos um viés à esquerda, o que significa defender melhor qualidade de vida para todas as cidadãs e cidadãos com garantia de emprego, renda, moradia digna, alimentação e acesso aos bens e serviços que durante muitos anos ficou limitado à uma classe social abastada economicamente.

Estamos em vias de realizar o Processo de Eleições Diretas que vai eleger os novos dirigentes partidários nos três níveis: municipais, estaduais e nacional. Entendam: somente um partido construído sob a bandeira da Democracia poderia criar um mecanismo que permitisse a qualquer filiado, do mais humilde ao ex presidente Lula, participar em igualdade de condições. Cada voto vale um voto e todos os que estão em dia com sua obrigação financeira com o partido pode votar e ser votado.

Embora essa filosofia ainda resista ela já começa a ser corrompida porque ao longo dos anos aceitamos filiações de toda ordem e muitos que viveram em lado oposto aos petistas em muitas cidades acabaram tendo suas fichas abonadas e passaram a disputar espaços no PT, partido alvo de suas críticas quando na oposição, mas que ora lhe abrigam calorosamente em seu seio.

Descobriram que comandar um partido lhes pode ser útil, e um partido como o PT, mais que útil, utilíssimo. Hoje me deparo com uma nota nas redes sociais (porque não leio o porcalhão do jornal O Globo que vive detratando o partido), mas a nota é da coluna Panorama Político de Ilimar Franco, do jornal O Globo e diz:

Deputado Henrique Fontana

Deputado Henrique Fontana

 

Compra de votos no PT
Esta é a denúncia mais grave desde o mensalão. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) acusa que há compra de votos na eleição para presidente do PT. “Desconfio de pagamento coletivo. Uma pessoa pagou para um grupo e isso é voto de cabresto”, diz. Ele conta: “184.893 filiados estavam aptos a votar em 28/8. Ontem, eram 780 mil os filiados que estavam em dia com a tesouraria”.

 

Eu tenho sustentado meus discursos de que alguma coisa subverteu a ordem no PT. A começar pelo modo de cobrança dos seus filiados. Quem não se propõe a pertencer aos Diretórios e às Comissões Executivas nos três níveis contribuem como “Filiado Padrão” cujo valor mínimo é de R$ 30 (trinta reais) anuais. Mas os que vão dirigir o partido em qualquer nível, passa a contribuir mensalmente. Na minha realidade este valor pode chegar aos R$ 360 (trezentos e sessenta reais) ano. Muitos trabalhadores que conheço não querem mais pertencer às direções porque são penalizados dessa forma. Logo estes que empregam muito mais que dinheiro ao partido: empregam tempo, trabalho intelectual e físico e outras contribuições por consequência das atribuições do dirigente partidário. Assim, entregamos o partido aos que são ocupantes de cargos eletivos e passamos a orbitar em torno de seus interesses porque estes sustentam inclusive determinadas “garrafinhas” nos cargos mais importantes do partido. Garrafinhas que ignoram o projeto político do PT para defender o projeto pessoal do financiador do seu cargo.

Maioria absoluta dos novos filiados do PT quando descobrem que precisam contribuir financeiramente se assustam. Eles não estão filiados por convicção, mas por conveniência e sabe-se lá Deus por que mais. Talvez esse balaio de gatos explica a distância que o partido afastou-se dos movimentos sociais. Os grupos mais ortodoxos estão desanimados porque não concordamos com a prática da filiação em massa para garantir maior espaço e não conseguimos forças para enfrentar essa avalanche fraudulenta. Os Diretórios tem sido mera peça decorativa e os filiados meras “garrafinhas” ventríloquas porque as decisões acabam sendo tomadas nos gabinetes dos mandatos sem nenhuma relação com a sociedade ou movimento social.

E por que continuamos então? Ora, não há no país outro partido com as características democráticas do PT e porque ainda acreditamos que será possível restabelecer os mecanismos honestos do bom combate; do debate que fortalece e dinamiza o partido; das disputas pautadas nas ideias e não nas finanças; do partido que humaniza e não manipula. Acreditamos sim e vamos continuar na luta, mas hoje o partido se igualou a maioria dos partidos e, lamentavelmente, se nivelou por baixo.

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