O que me disse Joaquim Barbosa, presidente do STF

“Você sabe com quem está falando?”

Franco Júnior, da Franco Júnior Comunicação, radialista e conferencista, diz que esta frase é a exteriorização da arrogância do indivíduo. O filósofo Mário Sergio Cotella aprofunda e diz “A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Veja como nós somos importantes. Tem gente que acha que Deus fez tudo isso pra nós existirmos… Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para essa pessoa existir” (texto transcrito do vídeo da palestra disponível Aqui).

Joaquim Barbosa, distorcendo fatos

Joaquim Barbosa, abusando do poder

Esta frase foi largamente utilizada nos anos de chumbo e serviu para “enquadrar” os excluídos porque todos são iguais perante a Lei, mas há uns poucos que são mais iguais que a maioria. A escola pública foi particularmente utilizada para doutrinar as classes “subalternas” a prestar obediência e submissão à classe superior. Quem pertencia/pertence a classe superior?

Quando menino ouvi muitas vezes esta frase.

Mais recentemente, precisamente em outubro de 2010, o presidente do STJ Ari Pargendler mostrou a diferença de classe e que elas não deviam se misturar. Onde a “superior” estivesse, as “inferiores” deveriam estar em outro lugar.

Na fila do Caixa Eletrônico do Banco do Brasil localizado nas dependências da Corte, no Rio de Janeiro, enquanto o ministro utilizava o terminal eletrônico o estagiário encaminhou-se até a faixa marcada para o próximo cliente. Foi quando o ministro Pargendler olhou para trás e disse; “Você quer sair daqui porque estou fazendo uma transação pessoal.”

Marco: “Mas estou atrás da linha de espera”.

O ministro: “Sai daqui. Vai fazer o que você tem quer fazer em outro lugar”.

O estagiário ainda tentou explicar que aquele era o único caixa para depósito disponível no local. Diante da resposta, Pargendler perdeu a calma e disse: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, está fora daqui”.

Os policiais militares são vítimas frequentes desta eloquente frase. Em blitzes vez por outra param um alto funcionário do judiciário, do governo ou mesmo um alta patente da corporação ou de outra instituição militar. Bastam que cumpram os ritos obrigatórios para a ocasião para ouvirem “vocês sabem com quem está falando?”

Agora foi a vez do presidente do STF bradar com os representantes de classe dos juízes e juízas federais: “Calem-se! Aqui não têm que falar alto! Vocês estão na Presidência do Supremo Tribunal Federal”.

Tratava-se de uma audiência pedida há muito para tratar da criação dos tribunais regionais federais. “O problema é que a matéria de criação dos tribunais em 2002 foi objeto de deliberação do Conselho Nacional de Justiça”. Disse o senador Jorge Vianna (PT-AC), Vice Presidente do Senado Federal. A matéria aprovada no Congresso Nacional estava sendo discutida há 11 anos, mesmo assim, o ministro Barbosa acusou os representantes dos juízes e juízas federais de “agirem sorrateiramente”. O que ele quis dizer com isto?

Estranhamente acusou que isto seria uma despesa desnecessária porque “os novos TRFs serão instalados em “resorts, à beira de alguma praia” [Conjur], mas esqueceu-se que em Manaus, Belo Horizonte e Curitiba nem têm praia.

Loucura! O presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa perdeu a noção da razão. Acha-se acima de qualquer outro cidadão abrigado pela toga que lhe protege. Enfrenta sua classe; confronta-se com o Congresso Nacional; Desrespeita as Leis que prometeu com ética cumprir e condena sem provas (como na Ação Penal 470) e suas atitudes parecem nos dizer que a última palavra será sempre a dele.

O que ele está me dizendo com suas atitudes? Ora, o presidente do STF está dizendo que tudo continua como antes, que todos somos brasileiros, mas alguns concentram privilégios que a maioria nunca vai alcançar. Ele está me dizendo que Deus fez tudo isso só para ele existir materializando o que disse Cortella. O consolo? Ele teve toda corda necessária oferecida pela mídia, mas está, aos poucos, se enforcando nela.

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