No meio de uma guerra quem mais sofre é quem tenta fugir dela

Vimos e revimos noticiários sobre os refugiados de guerra de várias partes do mundo. Entre eles a fome, a miséria, doenças, a distância da escola para as crianças, distância do hospital para os enfermos e distante de uma boa noite de sono, entre outras coisas mais.

Este retrato de uma face da guerra também pode ser sentido quando a pessoa resolve ser “apartidária”. É atribuído ao filósofo Platão, discípulo de Sócrates, um importante pensamento sobre isto: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política. Simplesmente serão governados por aqueles que gostam”.

E, assim, quem faz opção por ficar à margem das disputas políticas acaba por fazer opção pelos opressores contra os oprimidos. Porque educar-se politicamente é fazer opção por um dos lados da mais antiga guerra entre os homens que é o domínio do homem pelo homem e o domínio do homem pelas coisas.

Mas o indivíduo não conquista seus interesses sozinho. Para alcançá-los ele deve se associar a outros indivíduos, dirimir as divergências e pactuar nas convergências. A partir daí estabelece estratégias de ação para a conquista dos objetivos comuns.

Foi assim que no período da industrialização surgiram grupos de interesse comum e aconteceu uma clara divisão entre capital e o trabalho e consolidou o capitalismo enquanto sistema predominante esgarçando as desigualdades sociais.

É um processo parecido como o de uma máquina onde se coloca as pessoas dentro de um lado e do outro elas já estão agrupadas em pequenas partes (veja ilustração). Os que defendem que deve haver sempre poucas pessoas muito ricas e muitas pessoas muito pobres ficam no grupo A; os que defendem uma justa divisão das riquezas onde todos tem acesso a tudo (bens e serviços: educação, saúde, transportes, lazer, cultura etc.), mesmo quando pequenas desigualdades existam, ficam no grupo B, e assim por diante.

Ta. E as pessoas que não fazem parte deste ou daquele grupo como é que fica? É aí que mora o perigo porque seus objetivos estão sendo determinados pelos grupos dominantes. E se o grupo dominante é um grupo elitista, excludente, que se associou de acordo com a ideia do grupo A mostrado no exemplo do parágrafo anterior, esse indivíduo acaba por ficar recebendo as migalhas que sobram dos dominantes. Sua cultura será abolida e seu modo de vida ajustado para dever obediência ao grupo dominante.

Um partido político reúne as pessoas que pensam mais ou menos igual. Foi assim que surgiu o Partido dos Trabalhadores em São Bernardo do Campo. Um peão, nordestino e com um som de voz singular questionou a necessidade de existir no Brasil um partido que invertesse as prioridades da gestão pública. O governo precisava governar para todos, mas a atenção do Estado tinha que servir especialmente os interesses daqueles excluídos das oportunidades.

Lembro do meu tempo de infância quando era necessário ir pra fila da Escola Pública na quarta feira pra ser atendido na segunda feira próxima e ainda assim não era garantida a matrícula da criança. Pobre não tinha oportunidade de ir pra faculdade. As universidades federais serviam aos filhos dos ricos e, para que o pobre ingressasse lá tinha que pagar um pedágio num cursinho pré-vestibular qualquer, sem a certeza de a vaga lhe seria garantida.

Por um longo período o trabalhador morria de medo de perder o emprego porque o tempo médio para voltar a ter carteira assinada era de, pelo menos, 1,5 ano. Hoje meu filho troca de emprego por vontade própria.

Nesta semana que finda a ONU divulga um boletim e afirma: “Brasil tem alto desempenho no desenvolvimento humano e é exemplo para o mundo”. Mas nem sempre foi assim. Antes de um governo dos trabalhadores, no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ele recebeu o governo com 28,79% de brasileiros na mais absoluta miséria. Em 2002, último ano de FHC, a miséria reduziu apenas 2,07% (Fonte: Fundação Getúlio Vargas).

No primeiro ano do governo FHC, ainda que pese não poder atribuir qualquer mudança significativa ao novo governo o Globo publicou: “Renda dos pobres cresce 30% no Real”. Na verdade, pode-se atribuir ao governo de Itamar Franco, onde FHC serviu como ministro da fazenda. Já em 1999 tanto O Globo quanto a Folha de São Paulo já noticiavam o aumento da pobreza no Brasil. Quando este item foi medido no primeiro ano do governo Lula, a mídia atribuiu ao governo trabalhista o aumento da miséria para índices bem próximos do que no primeiro ano do governo neoliberal; 28,17%. Mas a partir daí a queda foi vertiginosa: em 2005 a Fundação Getúlio Vargas (AQUI) publicou que 7 milhões de pessoas subiram para a classe média e O Globo mancheteou: “Mais gente no meio da pirâmide”.

Em 2006 o governo do PT de Lula ganha destaque na imprensa internacional no combate a pobreza e no ano seguinte o Globo se rendeu: “Redução da Pobreza com Lula foi maior do que nos governos de FHC” (Leia o resumo da FGV AQUI). Em 2008 o economista chefe da FGV concedeu entrevista ao O Globo e disse “o bolo cresceu para todos” (AQUI). Quando Lula entregou o governo à sua sucessora Dilma Rousseff o índice de pobreza já estava na casa dos 15,32%.

Imagem extraída e editada do Luis Nassif

Imagem extraída e editada do Luis Nassif

Então um presidente trabalhador conseguiu inverter as prioridades sem esquecer da elite. Os bancos lucraram, as empresas privadas lucraram, o comércio vendeu mais, aumentaram as ofertas de serviços, a indústria passou a produzir mais e até os investidores internacionais passaram a investir com mais confiança no Brasil.

Tabela Risco Brasil (extraída e editada do Luis Nassif).

Tabela Risco Brasil
(extraída e editada do Luis Nassif).

Fernando Henrique entregou o governo ao presidente Lula com o risco Brasil perto dos 2000 (dois mil) pontos. Um ano depois e o risco Brasil despenca pra casa dos 500 pontos chegando aos 200 pontos quando Dilma Rousseff assumiu a presidência.

Em todo o governo FHC foram criados pouco mais de 5 milhões de empregos. Lula trÊs vezes mais: mais de 15 milhões de trabalhadores recolocados no mercado de trabalho. Mas o presidente Lula gosta mesmo de se gabar por ter construído 14 Universidades Federais. Lula que dizem analfabeto oportunizou que o filho do pobre pudesse frequentar universidade e se tornar doutor, ao contrário do sociólogo intelectual Fernando Henrique Cardoso que passou em branco nesse quesito.

Quando falo com as pessoas sobre tomar posição é pra fazer comparação mesmo. Não há como fugir disso porque é preciso conhecer de que lado as pessoas estão para saber se é possível estar junto delas. Recentemente tanto mídia como o PSDB voltaram a falar na Petrobrás que já tentaram privatizá-la uma vez e voltam ao mesmo tema. Por que privatizar uma empresa que está dando certo? E para explorar uma de nossas maiores riquezas, o Petróleo.

Para quem quer conhecer os esquemas de privatização dos tempos de FHC recomendo uma leitura do livro do jornalista Amaury Júnior “A Privataria Tucana” e entender que o processo de privatização das nossas riquezas só serviu para enriquecer alguns, mas como se pode vernos números, a pobreza no Brasil ficou estável com os ricos “se lixando” pra essa gente pobre e cheirando a suor e trabalho.

E não tenha dúvidas. Se optar por não “se meter” em política está optando pelo lado mais podre da política, que joga sujo contra a politização para continuar a manobrar os processos políticos. E essa gente ta doida pra voltar ao poder e desfazer tudo o que já foi construído e conquistado por essa brava gente brasileira.

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