Royalties: dividir sem ferir vaidades

Essa discussão sobre os royalties do Petróleo está se tornando um barril de pólvora para a presidenta Dilma. Qualquer decisão que ela tomar sairá gravemente chamuscada com as faíscas de ódio que a imprensa brasileira, como ninguém, sabe inculcar no sentimento popular. Se decidir pelo veto, os Estados e as cidades não produtoras chiarão e a imprensa levará os cidadãos e cidadãs afetadas a culpar Dilma pela distribuição seletiva priorizando os Estados e cidades já ricamente abastecidas com a maior fatia do bolo. Se sancionar como está serão os cidadãos e cidadãs das cidades e Estados afetados levados a culpar Dilma por reduzir a receita oriundas dos royalties.

É um beco sem saída? Eu acho que não.

Uma solução possível, embora um tanto cara, mas perfeitamente exequível é uma consulta popular. No Brasil só fomos chamados a opinar sobre um assunto de interesse nacional uma única vez que eu me lembre. Foi em 1993 quando tivemos que decidir sobre a forma e o sistema de governo no país. Por que não praticamos isso com regularidade? Porque não temos capacidades de decidir sobre nosso próprio destino? Ora bolas! Se podemos eleger presidente podemos tomar decisões com mais frequência sobre aquilo que nos afeta diretamente. E mais: com a possibilidade de rever a medida após um, cinco ou dez anos de sua implementação.

Quanto aos royalties vamos deixar para a sociedade decidir. Eu, por exemplo, que vivo no Rio de Janeiro, penso que Estados e Municípios mais pobres deveriam ter uma fatia maior para exatamente diminuir as desigualdades e fazer o Brasil crescer por igual. Quem reclama de fato são os administradores incompetentes que só sabem administrar com recursos abundantes para, assim, poder pagar quase mil reais por um litro de combustível, segundo o Ministério Público que investigou um convênio da Secretaria estadual de Esportes com a Associação Cândido Mendes.

Mas uma consulta popular, com direito a campanhas devidamente regulamentadas e patrocinadas pelo TSE, poderia dar fim ao imbróglio sem ferir vaidades. O Congresso tem decidido por questões que colidem frontalmente com o desejo popular. Até mesmo políticos e partidos que falavam em nome da educação pública negaram a receita dos royalties exclusivamente para a educação. Partidos de esquerda, inclusive. Educadores como o senador Cristóvão Buarque e o partido que tem uma relação estreita com a educação, como é o caso do PDT. Todos jogaram suas bandeiras de luta na vala comum da hipocrisia e rejeitaram o projeto do governo. Qual o motivo? Impingir uma derrota ao governo? Idiotas. Quem perdeu foi o povo brasileiro que precisa ter uma educação de qualidade para nos fazer grandes como pensamos ser.

A decisão dos royalties, portanto, já que mexe tanto com interesses de todos os brasileiros, que seja o povo brasileiro a decidir como deve ser feita a distribuição.

Esta é a minha opinião.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: