Imprensa no Brasil é folhetim de fofocas

Comentário para a Rádio Novos Rumos em 27/4/2012: 12:30h

Boa tarde Dine Estela, Zé Carlos, Leandro, Luis Alonso, Felipe e amigos da Novos Rumos.

Em pleno Século XXI, na era do conhecimento, descobrimos que a Imprensa no Brasil é tão somente um folhetim de fofocas.

Na última quarta feira, dia 25, o presidente Lula foi ao Palácio do Planalto para o lançamento do filme que conta a trajetória eleitoral da presidenta Dilma Rousseff e neste mesmo dia, o Jornal Nacional, da tv Globo, noticiou da seguinte maneira: abre aspas, [Lula] passou boa parte do dia reunido com a presidente Dilma. Eles conversaram reservadamente sobre a CPI. Fontes do Planalto disseram que Lula acredita que a CPI poderia tirar a atenção sobre o julgamento do mensalão previsto para os próximos meses. Já a presidente Dilma teria sido bem clara: funcionário do governo que aparecer em gravações será demitido, fecha aspas.

Ora, esta informação não se sustenta com uma simples análise etimológica, senão, vejamos: se a conversa foi reservada podemos afirmar possuir três conclusões possíveis: a primeira é que a conversa não foi tão reservada assim e havia no local um terceiro personagem não revelado na matéria e que seria este o informante do Jornal Nacional; a segunda é que se no local estavam reservadamente e exclusivamente o presidente Lula e a presidenta Dilma, o Jornal Nacional obteve informações por meio de uma escuta ilegal e, por fim, que o Jornal Nacional está mentindo e criando uma versão subjetiva dos fatos para manipular a opinião pública. Dentre estas eu fico com a última.

No dia seguinte foi a vez de O Globo, o folhetim diário da família Globo, dizer que, abre aspas, A presidenta Dilma almoçou com o ex-presidente Lula em Brasília no Palácio da Alvorada na quarta-feira (25). Esticaram a prosa por mais de quatro horas. No encontro estavam os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Guido Mantega (Fazenda) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), além do ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, fecha aspas.

Com efeito, se ali estavam os homens mais importantes do governo federal e pessoas de confiança tanto do presidente Lula quanto da presidenta Dilma, ainda que tivessem falado de CPI, nenhum deles se prestaria a servir-se de fonte não revelada para jornalistas dessa velha mídia, como disse a brilhante jornalista Helena Stephanowitz na Rede Brasil Atual.

Na sexta feira passada, dia 21, o jornal A Folha de São Paulo tentou envolver o ministro de saúde no esquema de Carlinhos Cachoeira. O jornalismo porco do folhetim paulista pinçou algumas frase das escutas telefônicas em que aparece o nome de Alexandre Padilha e produziu uma espécie de fato imaginário e o publicou como se verdade fosse. O que é pior, meus caros amigos, é que o judiciário passou muitos anos acreditando no trabalho dessa gente e aceitava como prova as publicações tupininquins dessa organização criminosa, como disse o deputado federal Protógenes Queiroz.

Como disse o jornalista Luis Nassif em seu blog, tudo isso acontece num momento em que as redes sociais acompanham atentamente as técnicas de manipulação do jornalismo brasileiro. Convenhamos, Dine Estela, tudo isso, na verdade, só mostra o estado escatológico em que vive a imprensa nacional.

Deus salve a internet e as rádios comunitárias!

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