A relação promíscua de governos com empresas privadas começam no processo eleitoral

Comentário para a Rádio Novos Rumos, 26/4/2012: 12:30h.

Boa tarde Dine Estela, Felipe, Leandro, Luiz Alonso, Zé Carlos e amigos da Rádio Novos Rumos

Estamos acompanhando com muita tristeza mais um rastro de corrupção no Rio de Janeiro. Trata-se de contratos espúrios de uma empresa com ramificações muito parecidas com as de Carlinhos Cachoeira, o megabandido de Goiás. A Locanty começou como uma pequena empresa de limpeza e chegou a prestar serviços para quase todas as prefeituras da Baixada Fluminense. O caso escabroso que está em questão se dá na Câmara Municipal de Vereadores de Duque de Caxias com o aluguel de veículos super luxuosos como o Amarok, Pajero e Hilux, e superfaturados também.

O valor de cada veículo chegava aos absurdos 6.900 reais por mês. Com o montante pago à Locanty, a Câmara Municipal poderia ter comprado um veículo para cada um dos 21 vereadores no valor de 40 mil reais, o que vem a ser um carro de qualidade e com determinado luxo. Bem, o Tribunal de Contas do Estado reprovou esse contrato e 18 dos 21 vereadores que pediram o aluguel dos veículos terão que apresentar defesa e justificativa de utilização dos veículos; se não convecerem os juízes do TCE, cada vereador poderá ter que devolver aos cofres públicos a quantia de 192,600 reais.

Mas essa relação promíscua tem origem meus amigos, no processo eleitoral que permite o financiamento privado de campanha. Quando uma grande empresa faz sua doação para os candidatos, esperam ter vantagens na relação com aqueles que foram eleitos para exercer o poder. Em economia costuma-se dizer que não existe almoço grátis. Sempre que o indivíduo opta por uma decisão ele tem que abrir mão de outras. No caso da política, quando o homem ou a mulher pública decide optar por fazer conluios para praticar peculato, abre mão da ética e da honestidade. Peter Druke, guru da administração, diz que nenhuma empresa é melhor do que o seu administrador permite; logo nenhum governo é melhor que o seu gestor permite.

Não há, meus amigos, empresário que invista 200, 300 mil numa candidatura se ele não perceber perspectivas de reaver seu investimento com lucros em 2 ou 3 anos. Este é o mal do financiamento privado das campanhas eleitorais e a locanty é doadora de generosos recursos para determinadas candidaturas.

Ou muda-se o processo eleitoral ou vamos continuar a ter que reparar erros depois de descobri-los.

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