Novos Rumos ainda respira, mas…

Eu sou um dos fundadores da Rádio Novos Rumos e fui membro da Executiva do Radioclube de Queimados por 4 mandatos. De diretor de comunicação a tesoureiro, vivi o estresse de uma emissora comunitária com uma efervescência de uma grande rádio comercial. Já se viveu um momento de muita prosperidade naquela que é a primeira comunitária do Brasil com uma programação intensa e transmissão esportiva ao vivo dos principais campos de futebol de Queimados. Eu fui o locutor esportivo e os brilhantes Vando Soares e Dinho, o garotinho da notícia eram os repórteres de campo. Meu amigo Carlos Pereira era o comentarista e posso garantir que em nada ficou devendo aos grandes comentaristas esportivos das emissoras comerciais.

Carlos Pereira também era um artista de rádio que, além de comandar o Queimados em Revista todos os dias pela manhã, fez teatro de rádio na campanha eleitoral de 2000 imitando com perfeição o ex-prefeito Jorge Pereira. Vivia-se, também, um momento de muita criatividade na queridinha de Queimados. Tivemos excelentes operadores de áudio como o Christian (in memorian), o Eduardo (hoje numa emissora comercial), o Paulo César (PC dos Desejos) que tinham perfeita sintonia com os programadores. Falo assim porque em transmissão esportiva, eu no campo, eles nos estúdios, e tudo era sincronicamente perfeito.

Lembro-me de um programa que fazia aos sábados e tinha por princípio discutir os problemas da cidade. Os convidados eram pessoas da comunidade, mas não se fazia lá um estúdio “casa de mãe Joana” onde todo mundo manda e ninguém obedece. Os comunicadores preservavam certo valor e pode-se dizer que não se dizia algo do qual o comunicador não tinha um mínimo de conhecimento. De política então nem se fala! O atual prefeito Max Lemos foi um dos muitos que frequentaram a emissora participando de debates políticos acalorados, mas todos com muito respeito e ética.

Hoje ouvi a emissora e fiquei profundamente decepcionado. O áudio vai e vem deixando claro que a qualidade do equipamento é precaríssimo. Ora nem se ouvia o comunicador (e olha que ouvi pela internet!), ora o áudio era ouvido por meio de um outro microfone que não aquele na mão de quem falava. Mas isso é só o equipamento: qualidade baixa mesmo é a programação sugerindo a necessidade de capacitação dos comunicadores para, não apenas produzir o programa, mas também se preparar para as dificuldades que emergem de uma programação ao vivo.

De longe, afastado já por alguns anos da emissora, vejo com tristeza a atual fase moribunda da rádio já tão ameaçada pelos novos processos de comunicação como a televisão e a internet. Hoje mesmo ouvi os meninos dizerem que o Queimados está de volta à 3ª divisão do campeonato carioca. Seria um bom motivo para ter de volta pessoas como Carlos Pereira, Vando Soares e Dinho, o garotinho da notícia. Mas com a qualidade percebida, até os bons se nivelam por baixo.

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